domingo, 2 de junho de 2013

Texto para a REVISTA NOIVAS FESTEJAR

Quando a soma de um mais um é maior que dois

O casamento é sempre envolto em expectativas, senão certezas, de felicidade, comunhão, plenitude e realização. É interessante notar que os nubentes acreditam que suas vidas começarão dali para frente e que o vivido em outras relações ficou para trás, sem nenhuma possibilidade de intromissão na harmonia idealizada. Até então é possível que nenhum dos dois tenha se dado conta do quanto é preciso ter sabedoria para amar e mais ainda, maturidade para construir e manter uma relação em que um dos dois já traz concretamente o resultado de experiências anteriores: filhos.
Temática complexa que comporta múltiplas reflexões é geralmente deixada em segundo plano, na esperança de que tudo se acomode. Ledo engano! Aliás, tudo que se deixa para depois só tende a aumentar o volume e a gravidade. O acúmulo dos não ditos, das insatisfações e dos equívocos vão provocar tsunamis de emoções negativas que poderiam ser evitadas, caso fossem equalizadas no momento apropriado. Mas o pior deste processo são as mágoas e ressentimentos, experiências dolorosas que poderiam não ocorrer, caso o novo casal analisasse com profundidade o que cada um levará para o percurso que se dispõe a trilhar juntos. Mas voltemos ao nosso foco! Seriam os filhos do primeiro relacionamento tão prejudiciais assim? Necessariamente não! O fato é que sejam frutos de um relacionamento passageiro, de um divórcio, de uma perda por morte ou mesmo uma separação superamigável, esses frutos trazem a lembrança do que foi vivido anteriormente e se tornam fantasmas ameaçadores da felicidade do novo casal, quando um dos dois não está preparado para adicionar o seu potencial de amar ao filho ou filhos do par tão sonhado. Mas será tudo uma questão de dar amor? Claro que as coisas não são tão simples assim, os filhos também podem trazer na bagagem sentimentos de rejeição, medo, frustração, intolerância, enfim, todo um arsenal de emoções que realmente podem dificultar o tão idealizado equilíbrio familiar.
Tenho ouvido com grande frequência o quanto é difícil saber por onde começar numa situação como esta. Sempre esclareço que a imaginação pode ser mais cruel do que a realidade. Portanto, ficar sofrendo em silêncio, sem explicitar suas insatisfações, tentando agradar e escondendo do parceiro as dificuldades em questão, não vão melhorar em nada os conflitos velados ou não. Quando isto acontece é hora de descer das nuvens e por mãos a obra da realidade, ser artífice do seu destino. Para tal, é fundamental examinar a situação por ângulos diversos. Uma mesa redonda interna, ou seja, um diálogo com os EUS que habitam em nós é um exercício precioso, pois ajuda a perceber o quanto estamos implicados no ataque, na disputa ou no recuo estratégico, na conquista e na harmonização interior.
Bem, as reflexões que apresento a seguir são meras sugestões sem nenhuma pretensão de uma receita do tipo: Assim tudo dará certo!
Então vamos lá! Primeiro é preciso desmistificar a ideia de uma relação com equilíbrio permanente.  Não há equilíbrio estático! Para haver equilíbrio é preciso movimento,  oscilações, os fluxos e refluxos fazem parte da vida. Então não é necessário desesperar quando perceber que não será tão fácil ser feliz com a presença dos filhos do outro relacionamento.
É importante lembrar que desafios são sempre mais estimulantes quando enfrentados em parceria. Assim, se o casal estiver estrategicamente unido, a empreitada se tornará mais fácil. Segundo é importante que cada um tenha clareza do lugar que ocupa na vida do outro. Esta clareza eliminará a tão comum disputa do amor do par que os tem filhos. Outra questão tão importante quanto as já citadas é perceber se a criança interior, aquela que sofreu carências na família de origem, aquela que todo mundo esconde, surge agora, e, de forma egocêntrica exige atenção exagerada, aceitação e amor incondicional, fazendo com que o adulto que a possui se comporte de maneira totalmente infantilizada. Terceiro é fundamental não entrar em disputas de quem é melhor ou mais legal do que o (a) ex. Ser quem se é já dá um enorme trabalho, interpretar um personagem então, acaba sendo desumano em função do gasto enorme de energia para não errar em cena.
Em relação aos filhos, estes precisam ter certeza de que são amados, compreendidos, respeitados e protegidos. Pais separados ou não, devem ser referências positivas para os filhos!
Acredito que nesta e em qualquer situação a assertividade é o melhor instrumento. Como ser assertivo? Um comportamento assertivo é aquele em que a pessoa fala dos seus sentimentos sem procurar ferir ou responsabilizar o outro pelo que sente. Por exemplo: Eu me sinto (...) quando (...) acontece. Ficou claro? O que quero dizer é que quando explicitamos o que sentimos, apontando de maneira focal o que nos incomoda, não atingimos a totalidade do outro e assim diminuímos a necessidade do outro de defender e não ouvir o que temos a dizer. Um comportamento assertivo leva à construção de relações saudáveis, a organização de limites e principalmente ao aumento do conhecimento do outro sobre nós. Então se o outro sabe o que é gostado e o que não é, e ainda assim não dialoga sobre a questão, é porque falta respeito, consideração e sobretudo amor. Se a relação com os filhos deste “parceiro” está ruim, com certeza a responsabilidade não é só deles. Falta entre o casal outros ingredientes necessários à tão sonhada felicidade. Maturidade, cumplicidade, compreensão, sinceridade são aspectos essenciais para vida a dois, a três ou mais.









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